"Nesta ilha bucólica de Chiloé, minha agitação do passado parece incompreensível. Não sei o que era essa comichão interior que antes não me dava trégua, por que saltava de uma coisa para outra, sempre buscando algo sem saber o que buscava; não consigo lembrar com clareza os impulsos e sentimentos dos últimos três anos, como se aquela Maya Vidal fosse outra pessoa, uma desconhecida. (...) e então me disse que a adrenalina é viciante, a gente se acostuma a viver na corda bamba, não pode prescindir do melodrama, que, no final das contas, é mais interessante que a normalidade." p. 147
"Parece-me que, no ano passado, desci precipitadamente num mundo sombrio. Enquanto estive embaixo da terra, como uma semente ou um tubérculo, outra Maya Vidal lutava para emergir; cresceram filamentos finos em busca de umidade, depois raízes como dedos procurando alimento e, finalmente, um caule tenaz e folhas em busca de luz. Agora devo estar florescendo, por isso posso reconhecer o amor. Aqui, no sul do mundo, a chuva torna tudo fértil." p. 242